sábado, 12 de novembro de 2016

Quer chá?


Alice acorda desesperada, já é a terceira vez essa semana que perde o horário para ir ao trabalho.
"Será que o celular despertou e eu não escutei? Será que essa "porra" está com defeito?" - se martiriza em seus pensamentos enquanto corre para com suas atividades de rotina (meio afobadas) para poder ir a labuta.
Enquanto faz suas atividades de forma afoita e um tanto quanto mecânica faz "notas mentais" das coisas que precisam ser resolvidas: Escovar os dentes... Pentear o cabelo... Pegar o celular... Escolher algo para ir comendo dentro do carro... Inventar uma nova desculpa que justifique mais uma vez o seu atraso:

  • passou a noite do hospital com uma dor lancinante em algum órgão vital (hummm... acho que já usou essa mais de uma vez esse ano); 
  • o pneu do carro furou e não conseguiu ajuda para ser troca-lo (hummmm... muito clichê e não se enquadrava nos seus princípios feministas atribuir a fragilidade de não conseguir trocar o pneu do seu carro num tempo hábil as suas ações);
  • ajudei um cachorrinho que estava ferido na rua (bem, isso mostra que sou uma pessoa preocupada com a vida do outro, mostra responsabilidade, atribui um caráter humanitário - trabalha numa empresa que presa por esse tipo de comportamento (pelo menos usa isso em suas publicidades) e ninguém contesta muito quando o substantivo "cachorrinho" é usado numa frase. E se por ventura alguém fizer muita pergunta, quiser muitos detalhes, posso perguntar se o curioso não quer me ajudar pagar as despesas da conta do veterinário - isso sempre afasta de imediato as pessoas - Boa!!! Será o cachorrinho ferido então.
Quando sai do seu apartamento e entra no seu carro, Alice faz o retrospecto do caminho que terá que seguir em sua cabeça, tentando traçar rotas alternativas que poderão lhe garantir um minuto ou mais no seu atraso (mesmo usando o cachorrinho como desculpa - agora estava satisfeita com a historia do canino enfermo - não era bom abusar muito da sorte.

Decidiu pegar o cainho da Marginal (tem mais pistas e limite de velocidade é maior). Ledo engano... uma fila de carro faz um desenho simétrico no borbulhante transito a sua frente. Desesperada, Alice olha para o relojo do painel do carro que cintila em sua frente e  repete em voz alta (como num mantra):
_Não vai dar tempo! Não vai dar tempo! Não vai dar tempo! Tenho que que correr! Não vai dar tempo!!!

(continua)


Doces beijos Tupiniquins

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